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Papel dos agentes públicos na análise de acidente catastrófico na construção civil pesada: o colapso de ponte em construção sobre o Rio Piracicaba no interior de São Paulo/Brasil

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DISSERT_MARCOS_GOMES_ACIDENTE_PONTE_20170911173327.pdf

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Dissertações

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Unidade:

Assunto:

Investigação de acidente, Construção de ponte, Indústria da Construção Civil, Acidentes do trabalho, Piracicaba (SP)

Área de Concentração:

Ano:

Resumo:

Introdução: Embora a indústria de construção brasileira apresente indicadores da natureza perigosa de suas atividades, ainda reluta no seu enfretamento e parece não estar suficientemente preparada para evitar o potencial que tem para causas eventos catastróficos que envolvem múltiplas mortes e ou danos significativos à propriedade, destacando os colapsos em grandes obras. Esses eventos evocam uso de tecnologia adequada e abordagens ampliadas para identificar suas origens. Em 01 julho de 2013, um colapso na “ponte pista Sul” em construção em Piracicaba/SP vitimou dez trabalhadores - cinco morreram e cinco ficaram gravemente feridos. O evento repercutiu na mídia e foi analisado por profissionais do Ministério do Trabalho e Emprego, Polícia Científica, Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e discutido em reunião ordinária do Comitê permanente regional (CPR) de Piracicaba. Objetivo: Compreender o processo de investigação do acidente após o colapso da ponte sul em construção na obra do anel viário em Piracicaba-SP através da cobertura da mídia digital. Metodologia: Enfoque qualitativo com o aporte da abordagem narrativa e análise organizacional. Foram utilizados os seguintes dados secundários: notícias veiculadas na mídia digital (internet); documentos produzidos pelos agentes públicos; ata do CPR de Piracicaba sobre a discussão das causas do colapso ocorrido na construção do anel viário. Resultados: Os relatórios dos agentes públicos ficaram restritos às causas técnicas. As manchetes produzidas pela mídia enfatizaram o colapso da ponte, número de vítimas, interdição da obra e a abertura de inquérito pela polícia civil. Posteriormente, passaram a abordar as causas do acidente, os atrasos na obra, os entraves no inquérito policial, os riscos enfrentados pelos peritos e bombeiros, as causas clínicas das mortes dos operários e, ao final, a retirada dos escombros, a retomada da obra, a data de inauguração do anel viário e a pendência do inquérito policial. O consórcio e a mídia trataram o acidente como fatalidade. As falas dos atores políticos direcionaram-se ao valor de uso da obra. Houve deslocamento de notícias que buscavam a compreensão das causas e das responsabilidades civis e trabalhistas sobre o acidente para as questões dos benefícios econômicos da conclusão da obra. Até a inauguração da obra os familiares das vítimas ainda não sabiam o desfecho do inquérito policial. Discussão: A mídia recorreu a manchetes de comoção e entrevistas com especialistas para atrair a atenção dos leitores. No entanto, aos poucos, perdeu interesse pelos responsáveis pela obra (o consórcio) e focou nos agentes públicos envolvidos com a investigação e liberação da obra. A responsabilidade das empresas envolvidas deixou de ser pauta. As empresas lançaram estratégias de restauração de imagem. Os entraves entre instituições e a dependência da análise técnica do IPT explicam a morosidade do processo de investigação e da retomada da obra. A limitação nas análises do acidente contrariou a literatura, que sugere buscar questões organizacionais, as quais poderiam estar na origem do evento. Considerações finais: Esse acidente revelou a limitação, a crise e a falta de perspectiva na prevenção de acidentes de trabalho na construção pesada. É essencial que seja adotado conceito chave para eventos catastróficos na construção pesada que aglutine em torno deles as ações dos diferentes atores sociais nos diferentes níveis (federal, estadual, municipal). Convoca-se então, que se desenhe e estabeleça no Brasil, política pública estruturada e organizada para dar conta de eventos desta magnitude de modo.

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