Carregando... Carregando...
 
Busca Simples

Saúde mental em jogo: Novos Caminhos de intervenção

Saúde mental em jogo: Novos Caminhos de intervenção

O título é tema de dissertação de mestrado, da aluna do Programa de Pós-Graduação da Fundacentro, Carolina Moura Grando

Por ACS/D.M.S em 23/02/2017

A aluna do Programa de Pós-Graduação da Fundacentro, Carolina de Moura Grando, orientada pelo médico pneumologista da instituição, Eduardo Algranti, defendeu a sua dissertação de mestrado, cujo título é “Saúde Mental em Jogo: Novos Caminhos de intervenção”. O tema de sua pesquisa envolveu o jogo digital como ferramenta para discorrer sobre o trabalho bancário. A professora Renata Pappareli, da PUC/SP e doutora em psicologia social e do trabalho foi coorientadora.

Em sua pesquisa, a mestre adotou o uso dos jogos digitais como ferramenta interventiva na busca de uma reflexão voltada à saúde mental relacionada ao trabalho. A intervenção também se pautou do diálogo entre Carolina e os participantes e, assim, a aluna compreenderia quais elementos e mecânicas nos processos do jogo digital poderiam ser responsáveis pelas possíveis reflexões vividas pelos bancários.

Carolina Grando focou seu objeto de estudo nos trabalhadores bancários que tinham interesse em participar da pesquisa junto à secretaria de saúde do sindicato da categoria, o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região. De acordo com a mestre, o motivo dessa preferência foi pelo fato de encontrar participantes já sensibilizados à temática da saúde.

Outros pontos consideráveis englobaram a procura dos candidatos pela secretaria e, ao mesmo tempo, solicitavam o acesso a suporte e apoio na instituição, caso o jogo produzisse mobilizações psíquicas excessivamente dolorosas. O seu estudo utilizou-se três instrumentos na intervenção como o jogo Papers, Please, entrevistas semiestruturadas e a anotação de observações durante esses processos.

Jogo Papers, Please

O jogo Papers, Please (Seus papéis, por favor), criado por Lucas Pope, é um instrumento que coloca o jogador em um papel de inspetor de imigração em uma fronteira recentemente aberta em um país de regime autoritário. A mestre descreveu que as tarefas e a narrativa durante o jogo adquiriram maior complexidade a cada dia trabalhado, o tempo para realização da tarefa é curto e o jogador precisava dar conta do acúmulo de documentos e dados a serem conferidos – o que provocava, uma crescente tensão com países vizinhos.

Diante deste fato, o jogo virtual possibilitou a identificação com a situação de trabalho. Contudo, a pesquisa da aluna teve o cuidado de não apontar o olhar do participante à semelhança da sua rotina de laboral. Essa semelhança está atrelada as exigências, ritmo frenético, fragilidade, violência e outros. A familiaridade com computadores, com o uso do mouse e teclado e a alta escolaridade foram fontes importantes para que os participantes tivessem facilidade de leitura e compreensão do instrumento utilizado.

Prazer e sofrimento

Carolina ressalta que tanto nas literaturas pesquisadas quanto nos relatos dos bancários que participaram de sua pesquisa, existe uma linha tênue entre o prazer e o sofrimento. Ou seja, o trabalho no início é fonte de orgulho e prazer, ascensão social e reconhecimento. No entanto, a incorporação de novas tecnologias e as mudanças organizacionais dos bancos têm sido fontes de adoecimento desses trabalhadores. Isso porque os bancários precisam cumprir metas de produtividade muito elevadas e difíceis de alcançar, também estão inseridas a diversificação e intensificação do trabalho, ameaça constante de desemprego, competição acentuada, assédio moral e clima de perseguição.

A mestre acredita que “a presente intervenção não poderia prescindir da presença e do diálogo – e talvez esses elementos sejam eternamente imprescindíveis à Saúde do Trabalhador – mas pode abrir caminhos para se pensarem outros convites e chamadas à reflexão. Pode indicar, também, novas possibilidades de investigação da organização do trabalho e caminhos para a pesquisa de elementos subjetivos na captura pelo trabalho”.

Por fim, Carolina salienta que o uso de jogos não pode ser feito de modo desenfreado, sendo fundamental escolher a ferramenta correta para não prejudicar o processo investigatório que poderá auxiliar na intervenção da saúde do trabalhador.

Fizeram parte da banca, a psicóloga Leny Sato, membro da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia e professora titular da Universidade de São Paulo (USP/SP). Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Fatores Humanos no Trabalho, atuando principalmente nos seguintes temas: saúde do trabalhador, psicologia social do trabalho, psicologia social, trabalho e psicologia do trabalho e a pesquisadora da Fundacentro/SP, Thais Helena de Carvalho Barreira, doutora na área de políticas públicas em saúde e segurança no trabalho.

A dissertação está disponível na biblioteca da Fundacentro

Compartilhar:

Recomendar Notícia

Recomendar Notícia

É obrigatório o preenchimento dos campos com *

Dados remetente

Dados destinatario

Máximo de 1500 caracteres. Quantidade de caracteres digitados:

Confirmação dos dados - Recomendar essa Notícia

Dados confirmação
Recomendar para outro destinatário

FUNDACENTRO - Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho.
Sede: Rua Capote Valente, Nº 710 - CEP: 05409-002 - SÃO PAULO-SP - BRASIL - CAIXA POSTAL: 11.484 / CEP: 05422-970
Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial sem a permissão da Instituição.