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Pesquisa mostra quase 50% de trabalhadores com silicose

Pesquisadores e trabalhadores de Corinto/MG

O estudo abrangeu 118 lapidários de cristal e foi apresentado em periódico científico internacional

Por ACS/ Cristiane Reimberg em 04/04/2017

Pesquisa coordenada pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, com a participação da Fundacentro, da Universidade Federal de Ouro Preto e da Universidade de Lille (França), foi publicada como artigo no periódico científico American Journal of Industrial Medicine. O texto “Silica Exposure and Disease in Semi-Precious Stone Craftsmen, Minas Gerais, Brazil” (Exposição à sílica e adoecimento em artesãos de pedras semipreciosas, Minas Gerais, Brasil) apresenta os resultados de avaliações realizadas com 118 lapidários entre 2006 e 2015. Quase 50% (48,3%) apresentaram silicose (pneumoconiose provocada pela inalação de poeira de sílica). A média de idade dos pacientes com essa doença respiratória foi de 34 anos.

Os trabalhadores passaram por consultas médicas, radiografias de tórax e espirometria. Também foram colhidas e analisadas amostras de sílica respirável. Esse atendimento já vinha sendo realizado pelo Hospital das Clínicas da UFMG e foi englobado pelo Projeto Arcus, convênio de cooperação técnica entre o estado de Minas Gerais e a região de Calais, na França. Essa atividade reúne as instituições dos autores e, entre outros temas, analisa a exposição à sílica na lapidação de quartzo em Corinto/MG.

“Houve grande prevalência de casos de silicose em indivíduos jovens, além de alterações de função pulmonar e comorbidades associadas à exposição à sílica”, explica a médica pneumologista da UFMG, Ana Paula Scalia Carneiro.

A concentração de sílica respirável encontrada em Corinto/MG chegou a ser 29,3 vezes maior do que o limite de exposição ocupacional. “As avaliações de poeiras respiráveis não apresentaram melhoras em relação às avaliações efetuadas há mais de 10 anos em Joaquim Felício, cidade próxima a Corinto e com atividades similares”, aponta o médico pneumologista da Fundacentro, Eduardo Algranti.

Segundo os médicos, as medidas ambientais adotadas nos últimos anos não foram aparentemente suficientes para que houvesse controle na geração de partículas respiráveis. Parte das atividades é realizada no setor informal, há pequenas empresas, das quais muitas são familiares. O acesso aos trabalhadores, mesmo entre os do setor formal, não é fácil. Só é feito o controle periódico da situação de saúde dos trabalhadores já matriculados no serviço da UFMG.

As oficinas de lapidação alcançadas pelo projeto adotaram algumas medidas de controle. Foram abertas e possuem mais ventilação natural. A utilização de Equipamentos de Proteção Individual- EPI, como máscaras, melhorou. No entanto, o layout e a limpeza ainda são ruins. “Nos últimos anos os trabalhadores estão utilizando mais respiradores, mas ainda não foi verificada em profundidade a eficácia dos respiradores utilizados e a presença de Programas de Proteção Respiratória”, pondera Algranti.

O projeto tem a intenção de retornar a Corinto este ano para facilitar o acesso dos trabalhadores às avalições médicas e promover uma discussão ampliada com as autoridades dos serviços públicos locais, além de avaliar a melhoria em relação à proteção individual e coletiva.

Parte dos pesquisadores envolvidos na pesquisa já está redigindo um novo artigo sobre marcadores inflamatórios no sangue, avaliando a relação desses com a exposição à poeira e a presença de silicose. “Estamos fazendo o seguimento longitudinal desses trabalhadores para observar, ao longo dos anos, o que acontece em relação às doenças causadas pela exposição à poeira e o comportamento da função pulmonar”, afirma Ana Paula Carneiro.

O artigo publicado no American Journal of Industrial Medicine teve como autores: Ana Paula Carneiro e Nayara Braz, da UFMG; Olivia Bezerra e Natália Araujo, da Universidade Federal de Ouro Preto; Eduardo Algranti e Lênio Amaral, da Fundacentro; Jean Edmé, Annie Sobaszek e Nathalie Chérot-Kornobis, da Universidade de Lille.

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