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Saúde mental, assédio, análise de acidentes, sofrimento e prazer no trabalho encerram a Expo 2017

Participantes na sala de aula do estande da Fundacentro

Feira de SST foi realizada de 16 a 18 de agosto no Expo Center Norte

Por ACS/ Alexandra Rinaldi em 13/09/2017

No último dia da Expo Proteção 2017 - 7ª. Feira Internacional de Saúde e Segurança no Trabalho, os pesquisadores da Fundacentro apresentaram temas sobre “Saúde mental e trabalho”; “Assédio sexual e moral no trabalho”; “Introdução à análise de acidentes e incidentes” e “Sofrimento e prazer no trabalho”.

Com a participação de mais de 100 profissionais da área da SST na sala de aula construída no estande da Fundacentro, a primeira palestra foi conduzida pela psicóloga da Fundacentro, Daniela Sanches Tavares, com o tema “Saúde mental e trabalho”.

Ao iniciar, Sanches destacou pontos que interferem na saúde mental, oriundos do processo e da organização do trabalho. A carga emocional atribuída em certas tarefas, o convívio com os riscos, o suporte social e o conteúdo das tarefas podem ser aspectos potencializados pela gestão.

A psicóloga destacou de maneira negativa a existência de planos de participação comuns nas empresas. São planos que se dão por meio do preenchimento de formulários pelos trabalhadores que contribuem para acirrar o clima de competição e desarmonia no ambiente de trabalho repercutindo na qualidade e no conteúdo das atividades desenvolvidas. “A cultura do estabelecimento de metas objetiva a excelência, mas também a exclusão e podem impactar na relação entre os trabalhadores”, destacou a psicóloga.

Outro ponto levantado por Sanches foi o monitoramento, o pleno controle das pessoas e o autoritarismo presentes na nossa cultura, e finaliza observando que para prevenir é preciso conhecer não só os livros, mas o que acontece de fato no ambiente de trabalho.

O tema “Assédio sexual e moral no trabalho”, apresentado por Juliana Andrade Oliveira abordou conceitos de assédio moral. Na definição da socióloga, o assédio tem como objetivo atingir negativamente o outro. Pode ser exemplificado como o ato de isolar a pessoa, tratar o trabalhador com palavras chulas, fazer criticas negativas na frente dos colegas, brincadeiras ofensivas, dar tarefas inúteis, humilhações, cumprimento de metas abusivas, entre outros.

Para Juliana é difícil comprovar a intencionalidade no assédio moral, mas enfatiza que todo assédio tem um elemento organizacional, pois ocorre dentro de uma organização de trabalho. “A organização que não ouve seus trabalhadores é uma organização propensa ao assédio”, destaca.

A socióloga falou ainda do trabalho realizado pela psiquiatra francesa, Marie France Hirigoyen sobre assedio moral que contribuiu para a elaboração de diversas leis contra assédio moral em ambito estadual e municipal no Brasil, como por exemplo a 12250/06, de 9 de fevereiro de 2006, no estado de São Paulo.

A socióloga falou ainda do trabalho realizado pela psiquiatra francesa, Marie France Hirigoyen sobre assedio moral que contribuiu para a elaboração de

Para chamar a atenção do público sobre o tema assédio sexual, a socióloga utilizou figuras ilustrativas que relatam a historia de um assediador -, o inicio, meio e fim da forma de assediar sexualmente uma mulher, e observa que o assédio, quando praticado, pode ser devastador, além de gerar problemas de saúde já apontados em pesquisas.

Em 2016, a Comissão Interna de Saúde do Servidor (Cissp) da Fundacentro, publicou a cartilha “Cantada não é elogio – campanha contra assédio sexual e opressão de gênero” que faz uma reflexão acerca da vulnerabilidade das mulheres diante de práticas sutis ou explícitas de investidas sexuais não consentidas no ambiente de trabalho.

Acesse a cartilha.

Além dos aspectos organizacionais, emocionais, físicos e de assédio moral ou sexual presentes no ambiente de trabalho, há também os acidentes de trabalho, tema do palestrante Fabio Sperduti, engenheiro Civil da Fundacentro.

Durante a palestra intitulada “Introdução à análise de acidentes e incidentes”, Sperduti falou da Teoria de Heinrich, ou Teoria dos Dominós, a qual atribui a causa de um acidente no ambiente de trabalho a falhas humanas. De acordo com Fabio, essa Teoria se baseia em modelos mais tradicionais, partindo da idéia de que o culpado é o individuo.

Outros autores como Michel Llory, Sidney Dekker e James Reason foram apresentados pelo engenheiro como forma de reforçar as diferenças existentes entre os modelos tradicionais e os menos tradicionais que avaliam o acidente como um todo.

Para Fábio, independente dos conceitos existentes, não se pode considerar uma única análise na ocorrência de um acidente, pois isso dificulta se chegar ao real motivo e considerar outras causas que levaram ao acidente. “Quando se foca na busca do culpado, se esquece da prevenção”, finalizou.

“Sofrer faz parte do trabalho”. Com esta frase, a jornalista da Fundacentro, Cristiane Reimberg, iniciou a palestra “Sofrimento e prazer no trabalho”. A jornalista que teve sua tese de doutorado sobre o tema, coloca que o sofrimento é o confronto entre os ideais e as necessidades do sujeito com a organização do trabalho.

Já o prazer na análise de Reimberg, ocorre quando há a identificação com o conteúdo do trabalho e também quando há autonomia para a realização das atividades.

Ao citar o artigo dos pesquisadores Karina Inoue e Rodolfo Vilela, “O poder de agir dos Técnicos de Segurança do Trabalho: conflitos e limitações”, sobre a profissão de Técnico de Segurança do Trabalho, a palestrante fez algumas comparações existentes entre a profissão do jornalista e a do Técnico e observou que em muitas ocasiões, ambos não se veem como trabalhadores, não se veem como parte do contexto, mas ao mesmo tempo possuem preocupações constantes no exercício da profissão.

Além disso, a jornalista observa que a subjetividade do prazer se faz presente quando há o reconhecimento pelo trabalho e o reconhecimento pela contribuição.

Leia o artigo O poder de agir dos Técnicos de Segurança do Trabalho: conflitos e limitações de autoria de Karina Inoue e Rodolfo Vilela publicado na RBSO, Vol.39, n°130, jul/dez 2014.

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