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Condições de Trabalho e Saúde dos Trabalhadores na Agricultura é tema de discussão no CTN

Pesquisadora Maria Cristina Gonzaga explana na segunda edição da Roda de Conversa

Pesquisadora Maria Cristina Gonzaga explana na segunda edição da Roda de Conversa

Por ACS/ Débora Maria Santos em 15/05/2018

A pesquisadora e engenheira agrônoma da Fundacentro de São Paulo, Maria Cristina Gonzaga, hoje, 15 de maio, aborda na segunda edição da Roda de Conversa da Diretoria Técnica da Fundacentro, tema de sua pesquisa sobre “Condições de Trabalho e Saúde dos Trabalhadores na Agricultura”, na Roda de Conversa.

Desde 1988, Cristina Gonzaga tem se dedicado a pesquisar e propor melhorias de segurança e saúde no trabalho aos trabalhadores e trabalhadoras que exercem atividades na agricultura, sobretudo no cultivo da cana de açúcar e do abacaxi.

O início de seu estudo focou nas atividades exercidas pelos trabalhadores que cultivavam hortas no cinturão verde de Campo Grande. Praticamente foram dois anos de estudo que detectou problema de intoxicação por agrotóxicos, nessa época a pesquisadora trabalhava na Fundacentro do Mato Grosso do Sul.

“Nessa ação, foram feitas várias atividades e no final produzimos o vídeo Cultivando a Terra com a Natureza: estimulo ao não uso de veneno”, informa Gonzaga.

Cana de açúcar

Em 1993, Cristina continua com as suas pesquisas na Fundacentro de São Paulo, no período de 1995 e 1996, a instituição recebeu um pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT) para analisar 1980 Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT) e Laudo de Exame Médico (LEM).

“Entre 2004 e 2005, foram registrados 14 mortes. Em função dessas mortes, a Fundacentro, juntamente com trabalhadores, representação sindical, Previdência Social, universidades, hospitais, técnicos de seguranças e outras instituições, cada um, colocou o seu parecer para descobrir o que estava acontecendo nos canaviais”, frisa Gonzaga.

A iniciativa promoveu, além de pesquisas e estudos, audiências públicas, análise de laudos ergonômicos, convenções coletivas, dois encontros que foram realizados na região sudeste e nordeste, análise coletiva do trabalho e análise ergonômica do trabalho.

“Durante 13 anos pesquisei cana de açúcar, o qual foi solicitado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) de Catanduva, interior de São Paulo. A partir daí várias ações foram desenvolvidas, bem como a publicação "Análise Coletiva do Trabalho dos Cortadores de Cana da Região de Araraquara, São Paulo, em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Araraquara”, informa Cristina.

Essa publicação descreve as condições ocupacionais dos cortadores de cana da região situada no interior de São Paulo. Principalmente, os efeitos na saúde do trabalhador, a organização do trabalho o esforço físico.

“Esses trabalhadores cortam em torno de 18 toneladas de cana por dia. São vários golpes de facão na sua base ou pé, despontar e carregar até montes ou leiras”, explana a pesquisadora. Completa que baseado na norma regulamentadora nº 31, os empregadores demitiam os trabalhadores por não usarem equipamento de proteção individual (EPI).

No entanto, com o estudo foi possível observar que era necessário adaptar o EPI para a sua melhor eficácia e, assim, proteger o trabalhador de acidentes de trabalho. “Os trabalhadores reclamavam que os equipamentos de proteção não eram ideais para o desenvolvimento do trabalho. Doutor Salim, médico dermatologista da Fundacentro, realizou análise e constatou lesões nas mãos, nos pés e sudorese”, frisa Cristina.

Sobre esse estudo com os cortadores de cana de açúcar, Gonzaga, em seu mestrado propôs mudanças nos EPI´s, melhorando o desenvolvimento dos trabalhos e, sobretudo, prevenindo acidentes.

Estudos e pesquisas da engenheira agrônoma:

Fundacentro estuda cultivo do abacaxi

A saúde dos trabalhadores no cultivo do abacaxi

Livro e relatório retratam as condições de trabalho no cultivo do abacaxi

Fundacentro e CONTAG buscam parceria para reduzir os acidentes de trabalho

Tese de doutorado: A proteção dos trabalhadores durante o cultivo do abacaxi contra ataques de serpentes peçonhentas

Em 2009, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Guaraçaí solicita pesquisa sobre os trabalhadores no cultivo de abacaxi, a Fundacentro inicia-se uma pesquisa e nesse estudo, a pesquisadora relata que encontrou diversas fragilidades nas relações trabalhistas, condições de trabalho precário, não fornecimento de EPI, contato com veneno e os trabalhadores formais ganham menos.

Ressalta ainda que os equipamentos de proteção individual quando fornecidos não protegem os membros inferiores (pés e as pernas) e nem os superiores (mãos e antebraço) dos riscos mecânicos, ataque por serpentes, perfuração por folhas pontiagudas e espinhos do abacaxi.

“Além dos acidentes no trabalho, as problemáticas advindas do uso dos equipamentos de proteção individuais que estão intimamente relacionadas ao distanciamento entre a normalização a ser cumprida e o trabalho real executado pelos trabalhadores. Conforto e usabilidade são importantes”, frisa Gonzaga. Completa que os trabalhadores com registro em carteira ganham menos e, isto define a precarização do trabalho.

Essas informações foram também objetos de estudo e pesquisa da engenheira agrônoma, para a sua tese de doutorado.

A engenheira agrônoma destaca que os estudos tiveram a participação de outros pesquisadores da Fundacentro, como Leda Leal Ferreira (aposentada); doutor Salim Amed Ali (aposentado); Sandra Donatelli, Marco Bussacos e outros.

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